{"id":1334,"date":"2017-09-06T16:41:03","date_gmt":"2017-09-06T19:41:03","guid":{"rendered":"http:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/?p=1334"},"modified":"2023-05-17T18:43:55","modified_gmt":"2023-05-17T21:43:55","slug":"agindo-num-mundo-desde-sempre-familiar-perspectivas-etnometodologicas-sobre-acao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/1334-agindo-num-mundo-desde-sempre-familiar-perspectivas-etnometodologicas-sobre-acao-social.html","title":{"rendered":"Agindo num mundo desde sempre familiar: perspectivas etnometodol\u00f3gicas sobre a\u00e7\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<div class=\"kcite-section\" kcite-section-id=\"1334\">\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Veja este artigo tamb\u00e9m em nossa plataforma acad\u00eamica OJS (com PDF e DOI): <a href=\"https:\/\/epistemologia.com.br\/academico\/index.php\/epistemologia\/article\/view\/14\">https:\/\/epistemologia.com.br\/academico\/index.php\/epistemologia\/article\/view\/14<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" style=\"text-align: left;\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Resumo<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O objetivo do trabalho \u00e9 compreender e expor a etnometodologia como uma teoria sociol\u00f3gica que, ao tratar da a\u00e7\u00e3o cotidiana, rompeu com o paradigma que atribu\u00eda sentido \u00e0 uma a\u00e7\u00e3o. Os estudos etnometodol\u00f3gicos propuseram substituir as causas e motiva\u00e7\u00f5es como explica\u00e7\u00f5es para a\u00e7\u00f5es sociais, pelo conhecimento (familiar, pressuposto, desinteressante &#8211; n\u00e3o \u00e9 um t\u00f3pico a ser discutido &#8211; e sobre o qual n\u00e3o se fala) do contexto em que se age. De fato, \u201ccausas\u201d e \u201cmotiva\u00e7\u00f5es\u201d n\u00e3o explicam como as a\u00e7\u00f5es ocorrem, ao contr\u00e1rio, frequentemente s\u00e3o racionaliza\u00e7\u00f5es posteriores, das quais os agentes lan\u00e7am m\u00e3o com o intuito de dar coer\u00eancia \u00e0s suas a\u00e7\u00f5es (e de outros). A a\u00e7\u00e3o social, definida por Max Weber como \u201ca\u00e7\u00e3o significativa e orientada por outro\u201d, passou a revelar uma racionalidade subjacente compartilhada entre os participantes, cuja l\u00f3gica pr\u00f3pria orienta as a\u00e7\u00f5es. De outra maneira, \u00e9 porque se percebe um mundo social relativamente est\u00e1vel e em si desinteressante, \u00e9 que se pode tomar decis\u00f5es, fazer escolhas, argumentar e dar relev\u00e2ncias. Para compreender os fundamentos te\u00f3ricos da etnometodologia e a ruptura epistemol\u00f3gica que prop\u00f4s no \u00e2mbito das ci\u00eancias sociais, utilizamos um estudo de caso apresentado pelo pr\u00f3prio Harold Garfinkel \u2013 uma conversa entre casal \u2013 como contexto cotidiano de a\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o. O mundo familiar \u00e9 baseado em experi\u00eancias pr\u00e9vias e funciona como um quadro de refer\u00eancias dispon\u00edvel para a interpreta\u00e7\u00e3o de acontecimentos contingentes e concretos. Us\u00e1-lo \u00e9 parte da expectativa dos atores no cotidiano como um esquema gramatical conhecido e dominado que orienta as a\u00e7\u00f5es. Por exemplo, numa conversa ocasional entre estranhos, o conhecimento compartilhado que prevalece \u00e9 o \u201ct\u00edpico\u201d ou o que est\u00e1 dispon\u00edvel a qualquer um, como o senso comum. No entanto, em um di\u00e1logo cujos participantes s\u00e3o mais pr\u00f3ximos, como um casal, o quadro de refer\u00eancias gerido por ambos tende a ser espec\u00edfico, implicando a exist\u00eancia de uma gram\u00e1tica pr\u00f3pria, a partir da qual se interpretam mutuamente.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Palavras-chave: etnometodologia; a\u00e7\u00e3o social; compartilhamento <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><p align=\"center\">\r\n<script type=\"text\/javascript\"><!--\r\ngoogle_ad_client = \"pub-3652987083456070\";\r\n\/* 250x250, criado 30\/10\/09 *\/\r\ngoogle_ad_slot = \"5836344936\";\r\ngoogle_ad_width = 250;\r\ngoogle_ad_height = 250;\r\n\/\/-->\r\n<\/script>\r\n<script type=\"text\/javascript\"\r\nsrc=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\r\n<\/script><\/p><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Abstract <\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">The aim of the paper is to comprehend and expose the ethnomethodologies as a sociological theory, that shifted the paradigm of how to attribute meaning to an action. The ethnomethodologically studies replaced \u201cmotivation\u201d and \u201ccauses\u201d as social action explanation, by the knowledge (familiar, presupposed, uninteresting &#8211; it&#8217;s not a conversation subject &#8211; and unspoken) of the actors about their context. In fact, \u201ccauses\u201d and \u201cmotivation\u201d do not explain how actions happen. On the contrary, they are often later rationalizations, from which actors give coherence to their actions (and to the others). The social action, based on Max Weber definition of \u201cmeaning action and guided by others\u201d, revealed an underlying rationality with a proper logic, shared among participants. In the same way, it is because one experiences the social world fairly stable and uninteresting in itself, that is possible to take decisions and make choices, argue and give relevance. To understand the theoretical foundations of ethnomethodology and the epistemological rupture in the social sciences, we take a case presented by Harold Garfinkel himself &#8211; a conversation between a couple -, as a daily context of action and interpretation.<\/span><span lang=\"en-US\"> The familiar world is based on previous experiences and works as a references framework, available to interpret contingent and concrete events. Use it is expected by actors in the quotidian as a known and dominated grammar scheme that guides the actions. For instance, <\/span><span lang=\"en-US\">in an occasional dialogue among strangers, the main shared knowledge is the \u201ctypical one\u201d or common sense. However, in a conversation whose participants are closer, as a couple, the references framework managed by both tends to be specific, implying the existence of a proper grammar <\/span><span lang=\"en-US\">scheme,<\/span><span lang=\"en-US\"> from which they interpret each other.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Key words: ethnometodology; social action; sharing. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A etnometodologia (GARFINKEL, 2006), ao propor o estudo da a\u00e7\u00e3o social, rompeu com o modelo can\u00f4nico<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\">1<\/a><\/sup> de explica\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es sociais por meio de suas causas e motiva\u00e7\u00f5es (HERITAGE, 1999). De fato, \u201ccausas\u201d e \u201cmotiva\u00e7\u00f5es\u201d n\u00e3o explicam como as a\u00e7\u00f5es ocorrem, ao contr\u00e1rio, frequentemente, s\u00e3o racionaliza\u00e7\u00f5es posteriores das quais os agentes lan\u00e7am m\u00e3o com o intuito de dar coer\u00eancia \u00e0s suas a\u00e7\u00f5es (e de outros). O que a etnometodologia tornou poss\u00edvel \u00e9 que \u201cas an\u00e1lises da a\u00e7\u00e3o e do conhecimento fossem plenamente integradas umas \u00e0s outras\u201d (HERITAGE, 1999, p. 324), a a\u00e7\u00e3o social passou a ser observada do ponto de vista do \u201cconhecimento que os agentes v\u00eam a ter a respeito de suas circunst\u00e2ncias\u201d (HERITAGE, 1999, p. 327). Segundo John Heritage, as a\u00e7\u00f5es ocorrem em contextos espec\u00edficos e s\u00e3o orientadas pelo conhecimento que os participantes v\u00eam a ter destes mesmos contextos. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">No interior do pr\u00f3prio evento, as a\u00e7\u00f5es componentes ser\u00e3o produzidas pelos participantes que ir\u00e3o ter inevitavelmente uma <i>compreens\u00e3o, ainda que t\u00e1cita, dos momentos contextuais espec\u00edficos<\/i> nos quais devem atuar e do modo como os v\u00e1rios cursos poss\u00edveis de a\u00e7\u00e3o ir\u00e3o concretizar ou desapontar as expectativas constitutivas ligadas a esses momentos. (HERITAGE, 1999, p. 350 \u2013 grifo meu). <\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Harold Garfinkel em \u201cEstudos em etnometodologia\u201d apresenta diversos experimentos com os pr\u00f3prios alunos, em que busca demonstrar como a a\u00e7\u00e3o social \u00e9 orientada pela compreens\u00e3o que os participantes t\u00eam das circunst\u00e2ncias em que o evento ocorre; e n\u00e3o por alguma \u201cmotiva\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cinten\u00e7\u00e3o\u201d pr\u00e9via a ela. Em um desses ex<span lang=\"pt-BR\">perimentos, os alunos entabularam uma conversa corriqueira com um desconhecido e, ao fim, afirmaram ter gravado o di\u00e1logo. A rea\u00e7\u00e3o do entrevistado (em cita\u00e7\u00e3o) demonstra que ele n\u00e3o apenas agia orientado pela \u201ccompreens\u00e3o<\/span><span lang=\"pt-BR\">, ai<\/span>nda que t\u00e1cita, dos momentos contextuais\u201d (HERITAGE, 1999, p. 350), como tinha expectativas de que seus interlocutores (alunos-pesquisadores) fizessem o mesmo. Por outras palavras, numa conversa casual, o que as partes esperam \u00e9 que se compartilhe todo um modo de agir, que obviamente n\u00e3o inclui a grava\u00e7\u00e3o do conte\u00fado compartilhado, ainda mais sem autoriza\u00e7\u00e3o. Neste caso, a conversa n\u00e3o \u00e9 apenas a representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do que se diz, mas uma a\u00e7\u00e3o social que envolve todas as partes quando compartilham tacitamente de um conhecimento sobre como agir em conversas casuais. Segue o experimento e a rea\u00e7\u00e3o do entrevistado:<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Durante a conversa o experimentador abria a jaqueta para mostrar o gravador e disse: \u201cV\u00eas o que trago aqui?\u201d. A pausa inicial era quase invariavelmente seguida pela pergunta: \u201cO que vais fazer com a grava\u00e7\u00e3o?\u201d. Os sujeitos reclamaram pela ruptura da expectativa de que a conversa era \u201centre n\u00f3s\u201d. O fato que se revelara, de que a conversa havia sido gravada, motivou novas possibilidades que as partes buscaram colocar sob a jurisdi\u00e7\u00e3o de um <i>acordo que nunca havia sido explicitamente mencionado e que, em efeito, n\u00e3o existia antes do evento.<\/i> A conversa, que agora se revelava como gravada, adquiriu um aspecto novo e problem\u00e1tico \u00e0 vista dos usos desconhecidos para os quais podia ser utilizada. <i>A partir desse momento se pressup\u00f4s que o acordo de que a conversa era \u00edntima havia operado durante todo o tempo<\/i>. (GARFINKEL, 2006, p. 90 \u2013 grifos e tradu\u00e7\u00e3o minha<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a>).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Quando o foco se desloca das causas para as \u201cmaneiras cognosc\u00edveis pelas quais, conscientes ou n\u00e3o, os agentes conhecem, reconhecem e produzem a\u00e7\u00f5es e estruturas sociais\u201d (HERITAGE, 1999, p. 323), a a\u00e7\u00e3o social deixa de ser percebida como irrefletida e irracional, para revelar uma racionalidade subjacente compartilhada, uma l\u00f3gica e ordem pr\u00f3prias, inquestion\u00e1veis e pressupostas entre os participantes e que comp\u00f5em o contexto da a\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Na conduta de seus assuntos cotidianos, para que a pessoa possa tratar racionalmente a d\u00e9cima parte da situa\u00e7\u00e3o que, como um iceberg sobressai da \u00e1gua, deve ser capaz de tratar as restantes nove d\u00e9cimas partes escondidas sob a \u00e1gua como algo inquestion\u00e1vel e, qui\u00e7\u00e1 ainda mais interessante, como fundo inquestion\u00e1vel dos assuntos que s\u00e3o relevantes para seus c\u00e1lculos, mas que aparecem sem ser notado. (GARFINKEL, 2006, p. 192 \u2013 tradu\u00e7\u00e3o minha<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a>).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">De outra maneira, \u00e9 porque se percebe um mundo social relativamente est\u00e1vel e em si desinteressante \u00e9 que se pode tomar decis\u00f5es, fazer escolhas, argumentar e dar relev\u00e2ncias: \u201cUm assunto, sem d\u00favida, est\u00e1 exclu\u00eddo do interesse dos membros: as a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e as circunst\u00e2ncias pr\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o para eles, em si mesmas, <i>um <\/i>t\u00f3pico, e menos ainda o <i>\u00fanico <\/i>t\u00f3pico de suas investiga\u00e7\u00f5es\u201d (GARFINKEL, 2006, p. 16 \u2013 tradu\u00e7\u00e3o minha<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a>). Por \u201ca\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas\u201d e \u201ccircunst\u00e2ncias pr\u00e1ticas\u201d compreendem-se os contextos e as a\u00e7\u00f5es que ocorrem neste contexto. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>2 \u201cCondi\u00e7\u00f5es de possibilidade\u201d de um mundo familiar e pressuposto<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Podemos definir a a\u00e7\u00e3o social que se organiza a partir deste mundo compartilhado, desinteressante e pressuposto remetendo \u00e0 sociologia compreensiva de Max Weber (2010), que define a a\u00e7\u00e3o social como significativa para o agente e orientada por outro.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">A a\u00e7\u00e3o \u00e9 a conduta humana que pode consistir em atividades fisicamente tang\u00edveis, em atividades mentais, em abster-se deliberadamente de agir ou em tolerar intencionalmente as a\u00e7\u00f5es dos outros. Em cada caso, contudo, a conduta humana \u00e9 considerada propriamente a\u00e7\u00e3o apenas e quando na medida em que a pessoa que age <i>atribui significado <\/i>\u00e0 sua a\u00e7\u00e3o e d\u00e1 \u00e0 ela uma determinada dire\u00e7\u00e3o que, por sua vez, pode ser entendida como significativa. Essa conduta intencionada e intencional <i>torna-se social se for dirigida \u00e0 conduta de outros<\/i> (WAGNER, 2012, p. 18 \u2013 grifo meu).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 esta mesma no\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o social que est\u00e1 presente nos estudos fenomenol\u00f3gicos sobre o mundo da vida cotidiano de Alfred Sch\u00fctz e que servir\u00e1, posteriormente, a Harold Garfinkel como as \u201ccondi\u00e7\u00f5es de possibilidades\u201d para o mundo social ser experimentado como familiar pelos agentes. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Sch\u00fctz prop\u00f4s uma \u201credu\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica\u201d do mundo cotidiano e naturalizado, ao colocar \u201centre par\u00eanteses\u201d a factualidade dos fen\u00f4menos. Isto quer dizer que o mundo \u00e9 sempre resultado de interpreta\u00e7\u00e3o individual ou coletiva, e isto inclui tanto o <i>sujeito <\/i>da consci\u00eancia, quanto o <i>objeto <\/i>que o sujeito experimenta (WAGNER, 2012, p. 16). A interpreta\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por meio da experi\u00eancia da consci\u00eancia do mundo interior e exterior, inclusive quando se trata de ter consci\u00eancia ou experimentar a \u201cvida dos outros\u201d (WAGNER, 2012, p. 17). A consci\u00eancia nunca se percebe enquanto tal, mas percebe os objetos para os quais se orienta, os \u201cobjetos intencionados\u201d. A experi\u00eancia \u00e9 uma \u201cforma\u201d sem conte\u00fado, e quando se trata de outros indiv\u00edduos, sua vida, hist\u00f3ria e interesses pr\u00f3prios, \u00e9 poss\u00edvel experiment\u00e1-los para \u201ctodos os prop\u00f3sitos pr\u00e1ticos\u201d (ou circunstancialmente). N\u00e3o \u00e9 uma \u201cduplica\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; reproduzir a vida de outros &#8211; mas reconhecer as diferen\u00e7as e a exist\u00eancia de outras vidas numa sociedade. Na redu\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica, os objetos deixam de ter concretude para serem \u201cunidades de sentido ou significado no mundo interior da consci\u00eancia individual\u201d (WAGNER, 2012, p. 16). Toda experi\u00eancia e fatos concretos, objetos percebidos, conhecimento cient\u00edfico e do senso comum, s\u00e3o interpreta\u00e7\u00f5es e envolvem \u201cabstra\u00e7\u00f5es, generaliza\u00e7\u00f5es, formaliza\u00e7\u00f5es, idealiza\u00e7\u00f5es\u201d (SCH\u00dcTZ, 1953, p. 2). Se, no cotidiano, o mundo n\u00e3o \u00e9 objeto de d\u00favida, mas percebido naturalmente, \u00e9 porque o agente \u00e9 ativo na significa\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias onde se encontra, ele \u00e9 respons\u00e1vel pelas a\u00e7\u00f5es, incluindo a\u00ed, a a\u00e7\u00e3o interpretativa. A interpreta\u00e7\u00e3o e o conhecimento passam a ser o principal t\u00f3pico da fenomenologia que \u201cprivilegia a descoberta dos modos com que os agentes sociais analisam as suas circunst\u00e2ncias e podem partilhar uma compreens\u00e3o subjetiva dessas mesmas circunst\u00e2ncias\u201d (HERITAGE, 1999, p. 323). Subjetivas porque interpretadas a partir da consci\u00eancia, mas compartilh\u00e1veis por serem padroniz\u00e1veis e poderem ser comunicadas. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">N\u00e3o haver \u201cfatos puros\u201d, mas interpreta\u00e7\u00e3o, implica no reconhecimento de que h\u00e1 entre os agentes um estoque de conhecimento comum. A esse estoque, Sch\u00fctz chamar\u00e1 de \u201cfundo de conhecimento comum\u201d, os \u201cvistos, mas n\u00e3o percebidos\u201d, que n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos pela maioria dos participantes, mas do qual lan\u00e7am m\u00e3o para agir circunstancialmente. Este fundo \u00e9 baseado em experi\u00eancias pr\u00e9vias sobre as coisas e a\u00e7\u00f5es, e funciona como um quadro de refer\u00eancias dispon\u00edvel para a interpreta\u00e7\u00e3o de acontecimentos contingentes e concretos, tornando-os familiares. Us\u00e1-lo \u00e9 parte da expectativa de todos os agentes no cotidiano, como \u201cgest\u00e3o de assuntos cotidianos\u201d (GARFINKEL, 2006, p. 53).<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Todos os fatos s\u00e3o desde o in\u00edcio selecionados de um contexto universal pelas atividades de nossa mente. Eles s\u00e3o, portanto, fatos interpretados, quer dizer, mesmo fatos que parecem deslocados de seu contexto por uma abstra\u00e7\u00e3o artificial ou fatos considerados em cen\u00e1rios espec\u00edficos. Em ambos os casos eles carregam consigo seu horizonte de interpreta\u00e7\u00e3o interno e externo (SCH\u00dcTZ, 1953, p. 2 \u2013 tradu\u00e7\u00e3o minha<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote5sym\" name=\"sdfootnote5anc\"><sup>5<\/sup><\/a>).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Como para a fenomenologia<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote6sym\" name=\"sdfootnote6anc\"><sup>6<\/sup><\/a> o objeto da experi\u00eancia pode ser comparado a outro semelhante \u2013 a um objeto de seu tipo, o objeto t\u00edpico \u2013 a tipicalidade<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote7sym\" name=\"sdfootnote7anc\"><sup>7<\/sup><\/a> \u00e9 um termo utilizado por Sch\u00fctz que se refere \u00e0s caracter\u00edsticas generalistas que atribu\u00edmos \u00e0s a\u00e7\u00f5es, objetos, personalidades, nesse grande contexto que \u00e9 o mundo cotidiano:<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">O mundo factual de nossa experi\u00eancia \u00e9 vivenciado desde o princ\u00edpio como sendo um mundo t\u00edpico. Os objetos s\u00e3o experienciados como \u00e1rvores, animais, de maneira geral, e mais especificamente como carvalhos, pinheiros, bordos ou cascav\u00e9is, pardais, cachorros. Esta mesa que eu percebo agora \u00e9 caracterizada como algo que sei reconhecer, como algo de que j\u00e1 tinha conhecimento pr\u00e9vio, mesmo que seja algo novo. Aquilo que \u00e9 vivenciado como novo j\u00e1 \u00e9 conhecido no sentido de que remete a coisas iguais ou parecidas que j\u00e1 foram percebidas antes<i>. <\/i>Aquilo que j\u00e1 foi apreendido uma vez traz consigo um horizonte de experi\u00eancias poss\u00edveis, com refer\u00eancias de familiaridade correspondentes, isto \u00e9, uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas t\u00edpicas que ainda n\u00e3o foram vivenciadas, mas que o podem ser potencialmente. (SCH\u00dcTZ, 2012, p. 129).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">As caracter\u00edsticas t\u00edpicas atribu\u00eddas cotidianamente s\u00e3o aquelas que fazem parte do que se compreende por \u201csenso comum\u201d. Atribuir a algu\u00e9m uma personalidade t\u00edpica significa atribuir caracter\u00edsticas as mais generalizantes poss\u00edveis sem que seja preciso conhec\u00ea-la. O que a tipicalidade facilita \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o, pois seu quadro de refer\u00eancias \u00e9 amplo o bastante para comportar quaisquer caracter\u00edsticas (em algum ponto a personalidade t\u00edpica por sua generaliza\u00e7\u00e3o vai concordar com o tra\u00e7o particular daquele indiv\u00edduo). Por outro lado, a tipicalidade tamb\u00e9m favorece o preconceito j\u00e1 que ela \u00e9 o compartilhamento e atribui\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas generalistas.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para Alfred Sch\u00fctz, o que se compreende por \u201cintersubjetividade\u201d est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 tipicalidade (ou tipifica\u00e7\u00e3o), pois ela n\u00e3o diz respeito apenas \u00e0s experi\u00eancias que se t\u00eam com os conhecidos, mas tamb\u00e9m com os an\u00f4nimos, que ser\u00e3o t\u00edpicos para o sujeito que os experimenta sem os conhecer, ou seja, ser\u00e1 imaginado a partir do estoque de conhecimento comum que forma a tipicalidade. N\u00e3o s\u00f3 o objeto pode ser t\u00edpico, como a experi\u00eancia tamb\u00e9m o pode ser. Por exemplo, o conceito de \u201ccompreens\u00e3o m\u00fatua\u201d sup\u00f5e \u201cque al\u00e9m da sua experi\u00eancia a pessoa experiencia o experienciar dos outros\u201d (WAGNER, 2012, p. 43). <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A rela\u00e7\u00e3o com outros pode ser apenas de observa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de intera\u00e7\u00e3o visual ou por meio de signos lingu\u00edsticos, face a face ou \u00e0 dist\u00e2ncia, entre contempor\u00e2neos ou n\u00e3o. O que importa para o cotidiano \u00e9 que as diferen\u00e7as sejam desconsideradas em favor da tipicalidade \u2013 o que \u00e9 comum a todos -, a partir da qual todos possam agir e interpretar: \u201c[\u2026] apesar das diferentes perspectivas, biografias e motiva\u00e7\u00f5es que levam os agentes a ter experi\u00eancias do mundo n\u00e3o-id\u00eanticas, eles podem, ainda assim, tratar as suas experi\u00eancias como \u2018id\u00eanticas para todos os fins pr\u00e1ticos\u2019\u201d (HERITAGE, 1999, p. 330). Os sujeitos e suas diferen\u00e7as se articulam sobre a tipicalidade dispon\u00edvel, e nem sempre reconhec\u00edvel, de mundo. E \u00e9 a partir deste mundo compartilhado e pressuposto que as intera\u00e7\u00f5es tornam-se poss\u00edveis. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Tal \u00e9 o significado profundo da articula\u00e7\u00e3o entre os conceitos de <i>intersubjetividade e de tipifica\u00e7\u00e3o<\/i>. O mundo \u00e9 apreendido desde o in\u00edcio na interlocu\u00e7\u00e3o fundamental, por vezes silenciosa, entre sujeitos, a partir de uma configura\u00e7\u00e3o de valores, relev\u00e2ncias, interesses, sonhos, projetos, sensa\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es <i>compartilhadas socialmente <\/i>[&#8230;] (TEIXEIRA, 2000, p. 16 \u2013 grifos meu).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para Carla Teixeira, o conceito de tipo utilizado por Sch\u00fctz ultrapassa o tipo de Weber como recurso metodol\u00f3gico para a \u201cprodu\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico\u201d (2000, p. 14), pois a \u201ctipicalidade\u201d est\u00e1 relacionada com a problem\u00e1tica do mundo cotidiano, \u201csua previsibilidade e perman\u00eancia\u201d (TEIXEIRA, 2000, p. 15), seu n\u00e3o questionamento para o senso comum. Conhecimento disseminado no mundo cotidiano, pressuposto por todos os agentes e condi\u00e7\u00e3o de possibilidade de um mundo desde sempre interpretado e compartilhado; tamb\u00e9m pode ser interpretado como o quadro de refer\u00eancias do fundo comum de conhecimento que re\u00fane diversas experi\u00eancias pr\u00e9vias e aspectos das coisas, dando um car\u00e1ter generalizado \u00e0s coisas e a\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>3 Quando uma conversa cotidiana \u00e9 um contexto de intera\u00e7\u00e3o <\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No entanto, ao se pensar no quadro de refer\u00eancias compartilhado, devemos pensar tamb\u00e9m nas diferen\u00e7as interpretativas. Alfred Sch\u00fctz vai propor o conceito de \u201csistema de relev\u00e2ncias\u201d para referir-se ao quadro que serve a interesses individuais, a grupos e circunst\u00e2ncias, e que fariam com que os participantes dar \u201crelev\u00e2ncia\u201d a uma e n\u00e3o a outra caracter\u00edstica do conjunto que comp\u00f5e a tipicalidade compartilhada. Por exemplo, enquanto numa conversa ocasional entre estranhos, o conhecimento compartilhado que prevalece \u00e9 o t\u00edpico, pois \u00e9 pressuposto que qualquer agente no cotidiano seja capaz de utiliz\u00e1-lo; numa conversa entre um casal, o conhecimento gerido por ambos pode ser mais espec\u00edfico, aspectos e caracter\u00edsticas podem ganhar relev\u00e2ncia em detrimento de outros, pois baseiam-se numa gram\u00e1tica pr\u00f3pria. Este quadro de refer\u00eancias a partir do qual se interpretam mutuamente se constitui ao longo do tempo, a partir do conhecimento rec\u00edproco das biografias, de um passado de experi\u00eancias conjuntas, de projetos futuros e interesses em comum. Este esquema gramatical pr\u00f3prio de ambos, com regras e l\u00e9xicos pr\u00f3prios, n\u00e3o seria acess\u00edvel a outros, mas particular \u00e0 intera\u00e7\u00e3o e hist\u00f3ria dos participantes, neste caso, o casal. Na cita\u00e7\u00e3o seguinte, a conversa entre o casal<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote8sym\" name=\"sdfootnote8anc\"><sup>8<\/sup><\/a> revela o qu\u00e3o pouco os interlocutores agiam explicitamente acerca do assunto que tratavam e como isto pode ser considerado um ind\u00edcio de que dominavam a gram\u00e1tica espec\u00edfica e, portanto, \u201ccompreendiam-se\u201d bem. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">&#8211; MARIDO: Dana teve \u00eaxito em introduzir um centavo no medidor sem que eu precisasse levant\u00e1-lo. <\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">&#8211; ESPOSA: Levou-o \u00e0 loja de discos? <\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">&#8211; MARIDO: N\u00e3o, \u00e0 sapataria. <\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">&#8211; ESPOSA: Para qu\u00ea? <\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">&#8211; MARIDO: Comprei novos cadar\u00e7os para meus sapatos. <\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">&#8211; ESPOSA: Teus mocassins necessitam de solas novas (GARFINKEL, 2006, p. 50 \u2013 tradu\u00e7\u00e3o minha<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote9sym\" name=\"sdfootnote9anc\"><sup>9<\/sup><\/a>)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para Garfinkel, dominavam \u201cum esquema gramatical usado de maneira intersubjetiva para analisar a fala do outro e que proporciona a possibilidade de que pudessem <i>entender-se <\/i>mutuamente em termos de que <i>podiam <\/i>ser entendidos\u201d (GARFINKEL, 2006, p. 41 \u2013 grifos do autor). Deste ponto de vista, \u201centender-se\u201d significa dominar o esquema gramatical particular, compartilhar o quadro de refer\u00eancias relevante e \u00e0 circunst\u00e2ncia. O autor lista as a\u00e7\u00f5es que justificam o dom\u00ednio pressuposto e n\u00e3o expl\u00edcito da gram\u00e1tica particular: assuntos sobre os quais falaram n\u00e3o foram mencionados; os assuntos n\u00e3o mencionados se apresentavam \u00e0 medida que novos dados iam surgindo, enquanto \u201cevid\u00eancias dentro de uma s\u00e9rie temporal\u201d, o que indica que os participantes se deixavam levar pela conting\u00eancia do contexto; ambos fizeram refer\u00eancia \u00e0 biografia um do outro, assim como \u00e0s \u201cperspectivas futuras de intera\u00e7\u00e3o\u201d, e as utilizaram como esquema de interpreta\u00e7\u00e3o; ambos aguardaram o desenrolar da conversa para entender o que haviam dito anteriormente (GARFINKEL, 2006. p. 52). Lan\u00e7ar m\u00e3o da gram\u00e1tica espec\u00edfica como um pressuposto, implica tamb\u00e9m ter expectativas de que o outro o fa\u00e7a, sem que isto precise ser dito. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Isso assegurava que nenhum dos dois tivera direito de exigir que o outro explicasse como fazia o que estava fazendo; quer dizer, nenhum dos dois tinha direito a exigir que o outro se \u201cexplicasse\u201d a si mesmo. Em resumo, uma compreens\u00e3o em comum que acarreta, como de fato o faz, um curso temporal \u201cinterior\u201d de trabalho interpretativo, necessariamente tem uma estrutura operacional (GARFINKEL, 2006, p. 41 \u2013 tradu\u00e7\u00e3o minha<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote10sym\" name=\"sdfootnote10anc\"><sup>10<\/sup><\/a>) <\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Assim como a a\u00e7\u00e3o social cotidiana protagonizada pelo senso comum pressup\u00f5e uma l\u00f3gica subjacente \u00e0s circunst\u00e2ncias pr\u00e1ticas, no caso desta conversa tamb\u00e9m se espera que o outro domine o \u201csistema de relev\u00e2ncias\u201d e a gest\u00e3o deste mesmo sistema. Outros recursos utilizados na conversa analisada est\u00e3o presentes cotidianamente, quando compartilhamos o contexto pelo qual se orientam as a\u00e7\u00f5es: <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">A conversa revela tra\u00e7os adicionais. 1) Muitas de suas express\u00f5es s\u00e3o de tal car\u00e1ter que seu sentido n\u00e3o pode ser decidido por aquele que escuta a menos que assuma <i>algo sobre a biografia e o prop\u00f3sito do falante, as circunst\u00e2ncias da locu\u00e7\u00e3o, o curso precedente da conversa\u00e7\u00e3o ou a rela\u00e7\u00e3o particular da atual ou potencial intera\u00e7\u00e3o que existe entre o usu\u00e1rio e o que escuta. As express\u00f5es n\u00e3o possuem um sentido que permane\u00e7a inalterado atrav\u00e9s das cambiantes ocasi\u00f5es de seus usos<\/i>. <\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">2) Os eventos de que se falou eram vagos. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o constituem um grupo claramente restrito de poss\u00edveis determina\u00e7\u00f5es, sen\u00e3o que os eventos representados incluem, como partes de suas caracter\u00edsticas intencionadas e sancionadas, <i>uma \u201cfranja\u201d acompanhante de determina\u00e7\u00f5es que est\u00e3o abertas com respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es internas, rela\u00e7\u00f5es com outros eventos e rela\u00e7\u00f5es com respeito a possibilidades retrospectivas e prospectivas. <\/i><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">3) Para o car\u00e1ter sens\u00edvel de uma express\u00e3o e sobre sua ocorr\u00eancia, cada um dos participantes da conversa\u00e7\u00e3o, como escuta de si mesmo e dos outros, deve assumir, em qualquer ponto no interc\u00e2mbio e enquanto espera pelo que ele ou a outra pessoa possa dizer, que em um tempo futuro o <i>significado presente daquilo que j\u00e1 havia sido dito ser\u00e1 esclarecido. Assim, muitas express\u00f5es possuem a propriedade de serem progressivamente compreendidas e compreens\u00edveis atrav\u00e9s do curso seguinte da conversa\u00e7\u00e3o<\/i>. 4) Quase n\u00e3o h\u00e1 necessidade de assinalar que o <i>sentido das express\u00f5es depende do lugar em que as express\u00f5es ocorram na s\u00e9rie ordenada,<\/i> assim como do car\u00e1ter expressivo do termo que as aglutina e da import\u00e2ncia do evento representado para os participantes na conversa. (GARFINKEL, 2006, p. 53 \u2013 grifos e tradu\u00e7\u00e3o minha<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote11sym\" name=\"sdfootnote11anc\"><sup>11<\/sup><\/a>).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Pode-se pensar o sistema de relev\u00e2ncias como restri\u00e7\u00f5es \u00e0s diversas caracter\u00edsticas que comp\u00f5em a tipicalidade ou generalidade das coisas do mundo: <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Afirmar que o objeto S tem como propriedade caracter\u00edstica p na forma de \u201cS \u00e9 p\u201d \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o el\u00edptica. Pois S, ser tomado sem questionamento como aparece para mim, n\u00e3o \u00e9 meramente p, mas tamb\u00e9m q e r, e muitas outras coisas. A afirma\u00e7\u00e3o completa deveria ser lida: \u201cS \u00e9, entre outras muitas coisas, como q e r, tamb\u00e9m p\u201d. Se eu afirmo que um elemento do mundo \u00e9 percebido como dado: \u201cS \u00e9 p\u201d, eu o fa\u00e7o sob certas circunst\u00e2ncias em que tenho interesse no ser-de-p de S, desconsiderando como n\u00e3o relevante o ser q e r. (SCH\u00dcTZ, 1953, p. 6 \u2013 tradu\u00e7\u00e3o minha<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote12sym\" name=\"sdfootnote12anc\"><sup>12<\/sup><\/a>).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Partindo da cita\u00e7\u00e3o acima e retornando aos experimentos, Garfinkel revela como os alunos, ao analisarem o sistema de relev\u00e2ncias compartilhado pelo casal, se equivocaram ao tentarem \u201ctraduzir\u201d o que era vago e n\u00e3o expl\u00edcito por significados mais precisos ou pr\u00f3ximos do que \u201crealmente\u201d quereriam dizer. Esta tradu\u00e7\u00e3o seria infinita, sempre haveria a possibilidade de refinar e aproximar cada vez mais o que foi dito com novos termos e outros sin\u00f4nimos. <i>O que n\u00e3o foi dito n\u00e3o era impreciso, mas pressuposto entre eles, provavelmente, de modo bastante preciso<\/i>. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Reconhecer <i>que<\/i> se diz <i>significa<\/i> reconhecer <i>como<\/i> est\u00e1 falando uma pessoa, por exemplo, reconhecer que a esposa ao dizer \u201cteus mocassins necessitam solas novas urgentemente\u201d estava falando narrativa, metaf\u00f3rica, eufemisticamente ou com duplo sentido. <\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Os estudantes trope\u00e7aram com o fato de que a pergunta sobre como est\u00e1 falando uma pessoa, a tarefa de descobrir o m\u00e9todo que uma pessoa usa para falar, n\u00e3o se satisfaz e n\u00e3o \u00e9 o mesmo que demonstrar que o que essa pessoa disse concorda com uma regra para demonstrar consist\u00eancia, compatibilidade ou coer\u00eancia de significados (GARFINKEL, 2006, p. 40 \u2013 tradu\u00e7\u00e3o minha<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote13sym\" name=\"sdfootnote13anc\"><sup>13<\/sup><\/a>).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A mesma express\u00e3o \u201cteus mocassins necessitam solas novas urgentemente\u201d pode ser compreendida como uma narrativa<i> <\/i>ou uma met\u00e1fora, um eufemismo ou um duplo sentido. As relev\u00e2ncias compartilhadas n\u00e3o s\u00e3o significados mais explicativos ou precisos, mas s\u00e3o usos dados aos significados pelos usu\u00e1rios de determinada comunidade lingu\u00edstica, que se aproxima dos estudos da pragm\u00e1tica. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Em lugar e em contraste com a preocupa\u00e7\u00e3o pela diferen\u00e7a entre <i>aquilo <\/i>que se havia dito e <i>aquilo <\/i>sobre o que se falava, a diferen\u00e7a apropriada a estabelecer-se \u00e9 entre, por um lado, o reconhecimento por parte dos membros de uma comunidade lingu\u00edstica do que uma pessoa est\u00e1 dizendo algo, isto \u00e9, do que estava <i>falando <\/i>e, por outro, <i>como<\/i> estava falando. Ent\u00e3o, o sentido reconhecido do que uma pessoa diz consiste s\u00f3 e completamente em reconhecer o m\u00e9todo de sua fala, em ver <i>como fala<\/i> (GARFINKEL, 2006, p.39 \u2013 tradu\u00e7\u00e3o minha<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote14sym\" name=\"sdfootnote14anc\"><sup>14<\/sup><\/a>)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">S\u00e3o os mesmos termos, cujas caracter\u00edsticas atribu\u00eddas variam conforme as circunst\u00e2ncias de intera\u00e7\u00e3o entre os falantes e o contexto. E, embora as relev\u00e2ncias possam ser lidas como usos de significados, referem-se a um sistema mais amplo que implica todo um modo de compreender a vida. H\u00e1 uma racionalidade nas rela\u00e7\u00f5es contextuais que \u00e9 percebida pelos membros de uma situa\u00e7\u00e3o como padr\u00f5es de comportamento pressupostos para sua participa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Dessa forma, os significados das elocu\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser apreendidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 completa variedade de usos pelos quais a linguagem \u00e9 enunciada pelos atores sociais \u2013 n\u00e3o apenas aquelas que \u201cdescrevem\u201d, mas tamb\u00e9m aquelas que \u201cargumentam\u201d, \u201cpersuadem\u201d, \u201czombam\u201d, \u201cavaliam\u201d, etc. [\u2026] Uma de suas consequ\u00eancias \u00e9 que a linguagem ordin\u00e1ria n\u00e3o pode ser ignorada pelos pesquisadores sociais em proveito de uma metalinguagem \u201ct\u00e9cnica\u201d, completamente separada, que \u201cilumine\u201d as \u201cindistin\u00e7\u00f5es\u201d ou as \u201cambiguidades\u201d da fala cotidiana. (GIDDENS, 1998, p. 287).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os grupos baseiam seus sistemas de tomada de decis\u00e3o, codifica\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o comum numa racionalidade muito pr\u00f3pria, utilizando prov\u00e9rbios, n\u00e3o-ditos, termos indiciais que remetem a um padr\u00e3o reconhec\u00edvel e s\u00f3 tem sentido num contexto espec\u00edfico, cujo objetivo \u00e9 responder a \u201ctodo-prop\u00f3sito-pr\u00e1tico\u201d do grupo, sua gram\u00e1tica. Um assunto \u201cexplic\u00e1vel-para-todo-prop\u00f3sito-pr\u00e1tico\u201d \u00e9 \u201cum assunto que pode resolver-se exclusiva e completamente\u201d sem recorrer a nenhuma raz\u00e3o que lhe seja exterior (GARFINKEL, 2006, p. 17). Em outro contexto e outro grupo esses sistemas n\u00e3o seriam considerados racionais.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>4 Conclus\u00e3o<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A etnometodologia se op\u00f5e diretamente \u00e0s teorias que v\u00eaem nas \u201cmotiva\u00e7\u00f5es\u201d o significado das a\u00e7\u00f5es sociais (significativas e orientadas por outros). A orienta\u00e7\u00e3o pelo outro \u00e9 compreendida pela fenomenologia do mundo da vida cotidiana como uma situa\u00e7\u00e3o \u201corigin\u00e1ria\u201d do indiv\u00edduo. Desde que o mundo existe para ele, existem outras pessoas. Ter consci\u00eancia do outro j\u00e1 \u00e9 uma orienta\u00e7\u00e3o: \u201cEu sou \u2018orientado-pelo-Tu\u2019 mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao homem que est\u00e1 parado perto de mim no metr\u00f4\u201d (SCH\u00dcTZ, 2012, p. 237). A participa\u00e7\u00e3o em comunidades de interesses e sistemas de relev\u00e2ncias tamb\u00e9m seria origin\u00e1ria, pois a sociedade j\u00e1 \u00e9, de antem\u00e3o, para qualquer indiv\u00edduo, constitu\u00edda de experi\u00eancias anteriores que est\u00e3o na origem das experi\u00eancias particulares que venha a ter.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">As \u201cmotiva\u00e7\u00f5es\u201d ou \u201cinten\u00e7\u00f5es\u201d s\u00e3o para a etnometodologia indica\u00e7\u00f5es de padr\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o tanto quanto qualquer outra atribui\u00e7\u00e3o que se possa dar \u00e0s a\u00e7\u00f5es sociais. Elas servem de indicadores aos agentes para interpretar e agir nas circunst\u00e2ncias diversas. \u00c9 parte dos recursos do agente de gest\u00e3o do fundo comum investigar os ind\u00edcios, identificar as tipicalidades, levar em conta a situa\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fica do outro, comparar com situa\u00e7\u00f5es passadas e imaginar as futuras, entre outras. Ou seja, os \u201cmotivos\u201d e \u201ccausas\u201d pertencem aos elementos identificados no contexto que ajudam o participante a orientar suas a\u00e7\u00f5es, eles n\u00e3o t\u00eam maior privil\u00e9gio que outros elementos como a tipicalidade, as biografias, as expectativas. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">Ao iniciar as suas investiga\u00e7\u00f5es das propriedades do conhecimento e da a\u00e7\u00e3o de senso comum, Garfinkel afirmou que o agente social responde \u201cn\u00e3o s\u00f3 ao comportamento, aos sentimentos, <i>motivos<\/i>, rela\u00e7\u00f5es e outras caracter\u00edsticas socialmente organizadas da vida ao seu redor por ele percebido\u201d, mas tamb\u00e9m \u00e0 \u201cnormalidade percebida desses eventos\u201d (HERITAGE, 1999, p. 333 \u2013 grifo meu).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os estudos revelaram a exist\u00eancia de in\u00fameros recursos dispon\u00edveis de gest\u00e3o do fundo de conhecimento comum, a ponto de se poder afirmar que os \u201catores\u201d sabem \u201cde certo<i> <\/i>modo o que est\u00e3o fazendo e sabem-no em comum uns com os outros\u201d. (HERITAGE, 1999, p. 333). A a\u00e7\u00e3o social cotidiana baseia-se no compartilha\u00admento de a\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es observ\u00e1veis e relat\u00e1veis, e \u00e9 a partir do reconhecimento, por outros, das a\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es de um indiv\u00edduo, em circunst\u00e2ncias pr\u00e1ticas ou concretas que ele pode almejar ter sua singularidade e originalidade. Embora todos estejam atentos aos padr\u00f5es e sua visibilidade para o reconhecimento, este mecanismo \u00e9 tratado como natural e normal e, portanto, ignorado. O que evidencia que o desinteresse do grupo pela pr\u00f3pria atividade como forma de realiz\u00e1-la \u00e9 tamb\u00e9m o que garante o seu compartilhamento. Porque s\u00e3o pressupostos \u00e9 que os acordos podem ser \u201cesquecidos\u201d pelo grupo.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Conhecimento e a\u00e7\u00e3o ser\u00e3o considerados complementares, pois \u201ca compreens\u00e3o, ainda que t\u00e1cita, dos momentos contextuais\u201d (HERITAGE, 1999, p. 350) n\u00e3o \u00e9 anterior ou exterior ao contexto onde esta a\u00e7\u00e3o ocorre. Ao contr\u00e1rio, comp\u00f5e este mesmo contexto, a partir do qual as a\u00e7\u00f5es podem ser \u201clevadas a cabo\u201d. \u201cConhecer\u201d \u00e9 \u201ccompreender\u201d o contexto (e constitu\u00ed-lo) e \u201ccompartilhar\u201d com outros participantes no tempo e\/ou no espa\u00e7o este mesmo contexto. Neste sentido, o compartilhamento contextual, por meio de pr\u00e1ticas discursivas, mem\u00f3ria, expectativas pertence n\u00e3o apenas a a\u00e7\u00e3o social, mas aos estudos que busca compreend\u00ea-la. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas: <\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-size: medium;\">ARMENGAUD, F. 2006. <\/span><span style=\"font-size: medium;\">A Pragm\u00e1tica<\/span><span style=\"font-size: medium;\">. S\u00e3o Paulo: Par\u00e1bola, 159 p. (Na ponta da l\u00edngua, v. 8).<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">GARFINKEL, H.<span lang=\"pt-BR\"> 2006. Estudios en etnometodologia. Barcelona: Anthropos Editorial, 319 p. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">GIDDENS, A. 1998. Garfinkel, etnometodologia e hermen\u00eautica. In GIDDENS, A. Politica, Sociologia e Teoria Social. Encontros com o pensamento social cl\u00e1ssico e contempor\u00e2neo. S\u00e3o Paulo: UNESP, p. 283-296<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">HERITAGE, J. C. 1999. Etnometodologia. In GIDDENS, A.; TURNER, J. (Org.) Teoria social hoje.<b> <\/b>S\u00e3o Paulo: UNESP, p. 321-392 <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Code,sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">SCH\u00dcTZ, A. 1953. Common-sense and scientific interpretation of human action. Philosophy and Phenomenological Research, International Phenomenological. 14, n. 1, september, p. 1-38. Dispon\u00edvel em: <\/span><span style=\"color: #0000ff;\"><a href=\"http:\/\/www.Jstor.Org\/Stable\/2104013\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\">http:\/\/www.jstor.org\/stable\/2104013<\/span><\/a><\/span>. <span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span lang=\"pt-BR\">Acesso <\/span><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span lang=\"pt-BR\">em: 24 set. 2012<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"pt-BR\">SCH\u00dcTZ, A<\/span><span lang=\"pt-BR\">. 2012. Sobre fenomenologia e rela\u00e7\u00f5es sociais. In WAGNER, H. T. R. (Org.) Sobre fenomenologia e rela\u00e7\u00f5es sociais. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 357 p. (Cole\u00e7\u00e3o Sociologia)<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">TEIXEIRA, C. C. 2000. Em busca da experi\u00eancia mundana e seus significados. Georg Simmel, Alfred Sch\u00fctz e a Antropologia. In TEIXEIRA, C. C. (Org.) Em busca da experi\u00eancia mundana e seus significados. Georg Simmel, Alfred Sch\u00fctz e a Antropologia. Rio de Janeiro: Relume Dumar\u00e1, p. 9-33 <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">WAGNER, H. T. R. 2012. Introdu\u00e7\u00e3o. A abordagem fenomenol\u00f3gica da sociologia. In WAGNER, H. T. R. (Org.) Sobre fenomenologia e rela\u00e7\u00f5es sociais. Petr\u00f3polis: Vozes, p. 11-62. (Cole\u00e7\u00e3o Sociologia).<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">WEBER, M. 2010. Conceitos sociol\u00f3gicos fundamentais. Covilh\u00e3: Universidade da Beira Interior, 109 p.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a> O modelo can\u00f4nico refere-se aos estudos de Talcott Parsons. Segundo John Heritage, as motiva\u00e7\u00f5es seriam exteriores \u00e0s a\u00e7\u00f5es sociais e n\u00e3o explicam como elas ocorrem: \u201cParsons n\u00e3o logrou em absoluto construir uma teoria da a\u00e7\u00e3o, mas formulou, em vez disso, apenas uma teoria de disposi\u00e7\u00f5es para agir\u201d (HERITAGE, 1999, p. 327)<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a>Durante la conversaci\u00f3n el experimentador se abr\u00eda la chaqueta para mostrar la grabadora y dec\u00eda: \u00abVes lo que llevo aqu\u00ed?\u00bb. La pausa inicial era casi invariablemente seguida por la pregunta: \u00ab\u00bfQu\u00e9 vas a hacer con la grabaci\u00f3n?\u00bb. Los sujetos reclamaron por la ruptura de la expectativa de que la conversaci\u00f3n era \u00abentre nosotros\u00bb. El hecho de que se revelara que la conversaci\u00f3n hab\u00eda sido grabada motiv\u00f3 nuevas posibilidades que las partes buscaron poner bajo la jurisdicci\u00f3n de un acuerdo que nunca hab\u00eda sido expl\u00edcitamente mencionado y que, en efecto, no exist\u00eda previo al evento. La conversaci\u00f3n, que ahora se revelaba como grabada, adquiri\u00f3 un aspecto nuevo y problem\u00e1tico a la vista de los usos desconocidos para los cuales pod\u00eda ser utilizada. A partir de ese momento se dio por sentado que el acuerdo de que la conversaci\u00f3n era \u00edntima hab\u00eda operado durante todo el tiempo. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a>En la conducta de sus asuntos cotidianos, para que la persona pueda tratar racionalmente la d\u00e9cima parte de la situaci\u00f3n que, como un iceberg sobresale del agua, debe ser capaz de tratar las restantes nueve d\u00e9cimas partes escondidas bajo el agua como algo incuestionable y, quiz\u00e1s a\u00fan m\u00e1s interesante, como trasfondo incuestionable de los asuntos que son relevantes para sus c\u00e1lculos, pero que aparecen sin ser notado. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a>Un asunto, sin embargo, est\u00e1 excluido del inter\u00e9s de los miembros: las acciones pr\u00e1cticas y las circunstancias pr\u00e1cticas no son para ellos, en s\u00ed mismas, <i>un <\/i>t\u00f3pico, y menos a\u00fan el <i>\u00fanico <\/i>t\u00f3pico de sus investigaciones. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote5\">\n<p class=\"sdfootnote-western\" lang=\"pt-BR\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote5anc\" name=\"sdfootnote5sym\">5<\/a><small><small>All facts are from the outset facts selected from an universal context by the activities of our mind. They are, therefore, always interpreted facts, namely, either facts looked at as detached from their context by an artificial abstraction or facts considered in theirs particular setting. In either case they carry along their interpretational inner and outer horizon.&lt;\/small<\/small>&gt;<\/small><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote6\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote6anc\" name=\"sdfootnote6sym\">6<\/a>Sch\u00fctz prop\u00f5e uma sociologia fenomenol\u00f3gica, a partir de Edmund Husserl, que elimina qualquer \u201cno\u00e7\u00e3o preconcebida a respeito da natureza \u00faltima dos objetos em quest\u00e3o e com a qual se preocupa a natureza humana\u201d (WAGNER, 2012, p. 16). Ainda, para Husserl, \u201cO fenomen\u00f3logo n\u00e3o deve apenas examinar &#8216;a pr\u00f3pria experi\u00eancia de si mesmo&#8217;, mas tamb\u00e9m &#8216;a experi\u00eancia derivativa dos outros eus da sociedade&#8217;\u201d (WAGNER, 2012, p. 17).<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote7\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote7anc\" name=\"sdfootnote7sym\">7<\/a><span lang=\"pt-BR\">A \u201ctipicalidade\u201d \u00e9 um conceito que Sch\u00fctz vai buscar em Edmund Husserl e refere-se a ao conhecimento disseminado no mundo cotidiano e que \u00e9 pressuposto por todos os agentes, condi\u00e7\u00e3o de possibilidade de um mundo desde sempre interpretado e<\/span> compartilhado. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote8\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote8anc\" name=\"sdfootnote8sym\">8<\/a> O di\u00e1logo pertence aos experimentos de Garfinkel, dispon\u00edveis em \u201cEstudos de etnometodologia\u201d (2006, p. 50)<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote9\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote9anc\" name=\"sdfootnote9sym\">9<\/a>ESPOSO: Dana tuvo \u00e9xito en introducir un centavo en el medidor sin necesidad de que lo alzara. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\">ESPOSA: \u00bfLo llevaste a la tienda de discos? <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\">ESPOSO: No, a la zapater\u00eda. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\">ESPOSA: \u00bfPara qu\u00e9? <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\">ESPOSO: Compr\u00e9 nuevos cordones para mis zapatos. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\">ESPOSA: Tus mocasines necesitan suelas nuevas urgentemente. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\">\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote10\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote10anc\" name=\"sdfootnote10sym\">10<\/a>Ello aseguraba que ninguno de los dos tuviera derecho a exigir al otro el explicar c\u00f3mo hac\u00eda lo que se estaba haciendo; es decir, ninguno de los dos ten\u00eda derecho a exigir que el otro se \u00abexplicara\u00bb a s\u00ed mismo. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\">En resumen, una comprensi\u00f3n en com\u00fan que acarrea, como de hecho lo hace, un curso temporal \u00abinterior\u00bb de trabajo interpretativo, necesariamente tiene una estructura operacional. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote11\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote11anc\" name=\"sdfootnote11sym\">11<\/a>El coloquio revela rasgos adicionales. 1) Muchas de sus expresiones son de tal car\u00e1cter que su sentido no puede ser decidido por aquel que escucha a menos que asuma algo sobre la biograf\u00eda y prop\u00f3sito del hablante, las circunstancias de la alocuci\u00f3n, el curso precedente de la conversaci\u00f3n o la relaci\u00f3n particular de la actual o potencial interacci\u00f3n que existe entre el usuario y el que escucha. Las expresiones no poseen un sentido que permanece inalterado a trav\u00e9s de las cambiantes ocasiones de sus usos. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\">2) Los eventos de los que se habl\u00f3 eran vagos. No s\u00f3lo no constituyen un grupo claramente restringido de posibles determinaciones, sino que los eventos representados incluyen, como partes de sus rasgos intencionados y sancionados, una \u00abfranja\u00bb acompa\u00f1ante de determinaciones que est\u00e1n abiertas con respecto a las relaciones internas, relaciones con otros eventos y relaciones con respecto a posibilidades retrospectivas y prospectivas. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\">3) Para el car\u00e1cter sensible de una expresi\u00f3n y sobre su ocurrencia, cada uno de los participantes de la conversaci\u00f3n, como escucha de s\u00ed mismo y de los otros, debe asumir, en cualquier punto en el intercambio y mientras espera por lo que \u00e9l o la otra persona pudiera decir, que en un tiempo futuro el significado presente de aquello que ya ha sido dicho ser\u00e1 clarificado. As\u00ed, muchas expresiones poseen la propiedad de ser progresivamen-te comprendidas y comprensibles a trav\u00e9s del curso siguiente de la conversaci\u00f3n. 4) Casi no hay necesidad de se\u00f1alar que el sentido de las expresiones depende del lugar en que las expresiones ocurran en la serie ordenada, as\u00ed como del car\u00e1cter expresivo del t\u00e9rmino que las aglutina y de la importancia del evento representado para los participantes en la conversaci\u00f3n. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote12\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote12anc\" name=\"sdfootnote12sym\">12<\/a>Asserting of this object S that it has the characteristic property p in the form of \u201cS is p\u201d is an ellipitical statement. For S, taken without any question as it appears to me, is not merely p but also q and r and many other things. The full statement should read: \u201cS is, among many other things, such as q and r, also p.\u201d If I assert with respect to an element of the world as taken for grantes: S is p, \u201cI do s\u00f3 because under the prevailing circumstances I am interested in the p-being of S, disreagarding as not relevant its being also q and r\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote13\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote13anc\" name=\"sdfootnote13sym\">13<\/a>Reconocer <i>qu\u00e9 <\/i>se dice <i>significa <\/i>reconocer c\u00f3mo est\u00e1 hablando una persona, por ejemplo, reconocer que la esposa, al decir \u00abtus mocasines necesitan suelas nuevas urgentemente\u00bb, estaba hablando narrativamente, metaf\u00f3ricamente, eufem\u00edsticamente o con doble sentido. <\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Los estudiantes tropezaron con el hecho de que la pregunta sobre c\u00f3mo est\u00e1 hablando una persona, la tarea de describir el m\u00e9todo que una persona usa para hablar, no se satisface con y no es lo mismo que la demostraci\u00f3n de que lo que esa persona dijo concuerda con una regla para demostrar consistencia, compatibilidad o coherencia de significados. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote14\">\n<p lang=\"pt-BR\"><span style=\"font-family: Times New Roman,serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote14anc\" name=\"sdfootnote14sym\">14<\/a>En lugar de y en contraste con la preocupaci\u00f3n por las diferencias entre <span style=\"font-family: Times New Roman,Times New Roman,serif;\"><i>aquello <\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman,Times New Roman,serif;\">que se hab\u00eda dicho y <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman,Times New Roman,serif;\"><i>aquello <\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman,Times New Roman,serif;\">sobre lo que se hablaba, la diferencia apropiada que debe establecerse es entre, por un lado, el reconocimiento por parte de los miembros de una comunidad ling\u00fc\u00edstica de que una persona est\u00e1 diciendo algo, esto es, de que estaba <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman,Times New Roman,serif;\"><i>hablando <\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman,Times New Roman,serif;\">y, por el otro, <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman,Times New Roman,serif;\"><i>c\u00f3mo <\/i><\/span><span style=\"font-family: Times New Roman,Times New Roman,serif;\">estaba ha-blando. Entonces el sentido reconocido de lo que una persona dice consiste s\u00f3lo y completamente en reconocer el m\u00e9todo de su habla, en <\/span><span style=\"font-family: Times New Roman,Times New Roman,serif;\"><i>ver c\u00f3mo habla <\/i><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<!-- kcite active, but no citations found -->\n<\/div> <!-- kcite-section 1334 -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja este artigo tamb\u00e9m em nossa plataforma acad\u00eamica OJS (com PDF e DOI): https:\/\/epistemologia.com.br\/academico\/index.php\/epistemologia\/article\/view\/14 Resumo O objetivo do trabalho \u00e9 compreender e expor a etnometodologia como uma teoria sociol\u00f3gica que, ao tratar da a\u00e7\u00e3o cotidiana, rompeu com o paradigma que atribu\u00eda sentido \u00e0 uma a\u00e7\u00e3o. Os estudos etnometodol\u00f3gicos propuseram substituir as causas e motiva\u00e7\u00f5es como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[39,38,37],"tags":[42,49,50,48,41,40],"jetpack_publicize_connections":[],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p86Mw3-lw","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1334"}],"collection":[{"href":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1334"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1334\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1879,"href":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1334\/revisions\/1879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/epistemologia.com.br\/revista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}